CDI: o que é, como funciona e como usar no seus investimentos
CDI — Certificado de Depósito Interbancário — é a taxa de juros cobrada nos empréstimos de curtíssimo prazo entre bancos e se tornou o principal benchmark da renda fixa privada brasileira. Quando um CDB promete “110% do CDI”, é essa taxa que serve de base para o cálculo.
Como funciona
Bancos precisam terminar cada dia útil com o caixa equilibrado: quem fechou com sobra empresta para quem fechou com falta. Esses empréstimos duram um dia útil (overnight), são lastreados por certificados — os CDIs — e são registrados na B3. A taxa média dessas operações diárias é o que a mídia chama de “taxa CDI” ou “DI”.
Como esses empréstimos acontecem entre instituições reguladas pelo Banco Central, a taxa CDI orbita naturalmente em torno da Selic. A diferença costuma ser mínima — cerca de 0,10 ponto percentual abaixo da meta Selic. Em maio de 2026, com a Selic em 13,25%, o CDI está em torno de 13,15% ao ano. Para fins práticos de investimento, você pode tratar as duas taxas como equivalentes.
A taxa CDI é calculada e divulgada diariamente pela B3, e é essa taxa acumulada que serve de base para corrigir os títulos de renda fixa privada. Quando seu CDB “rende 100% do CDI”, o que acontece é que o saldo é corrigido todo dia útil pela taxa CDI daquele dia, calculada proporcionalmente ao período.
Existe uma distinção técnica importante: o CDI é uma taxa de referência, não um investimento em si. Você não “aplica no CDI” diretamente — você aplica em produtos que usam o CDI como indexador. A taxa existe para dar transparência ao mercado: qualquer produto de renda fixa pode ser comparado ao CDI para saber se está pagando acima ou abaixo do custo de referência do dinheiro.
Bancos menores frequentemente oferecem CDBs acima de 100% do CDI — às vezes 115%, 120% ou mais — porque precisam atrair recursos e têm custo de captação maior que os grandes bancos. O risco de crédito é maior (coberto pelo FGC até R$ 250.000), mas o rendimento compensa para quem está dentro do limite de garantia.
Por que isso importa para o seu dinheiro
O CDI é o termômetro de eficiência da sua renda fixa privada. Antes de aceitar qualquer produto de banco, corretora ou fintech, você precisa saber quantos por cento do CDI ele rende. Um CDB que paga 85% do CDI é objetivamente pior que o Tesouro Selic, que rende praticamente 100% da Selic com risco soberano e sem limite de cobertura. Produtos abaixo de 90% do CDI raramente fazem sentido para o investidor pessoa física.
A comparação “% do CDI” também permite avaliar produtos com características diferentes: uma LCI que rende 85% do CDI parece pior que um CDB de 100% do CDI, mas a LCI é isenta de imposto de renda para pessoa física. Para comparar corretamente, é preciso calcular o rendimento líquido de cada um. Em geral, LCIs e LCAs acima de 85% do CDI já competem ou superam CDBs de 100% do CDI para prazos mais curtos, por conta da isenção fiscal.
Para a renda fixa como um todo, o CDI representa o custo de oportunidade do dinheiro conservador no Brasil. Qualquer produto que não renda ao menos o CDI líquido de impostos está destruindo valor real, especialmente se a inflação também for considerada na conta.
Na prática
Comparando produtos com CDI como base (mai/2026, CDI ≈ 13,15% a.a.):
CDB 100% CDI, 12 meses, R$ 10.000: Rendimento bruto ≈ R$ 1.315. IR de 17,5% sobre o lucro = R$ 230. Rendimento líquido ≈ R$ 1.085, ou seja, R$ 11.085 no resgate.
LCI 87% do CDI, 12 meses, R$ 10.000: Rendimento bruto ≈ R$ 1.144. Isento de IR. Rendimento líquido = R$ 1.144, ou seja, R$ 11.144 no resgate. A LCI com taxa aparentemente inferior entregou mais porque não há imposto.
Fundo DI com taxa de administração de 0,5% a.a.: O fundo rende o CDI menos 0,5% de taxa. Com CDI em 13,15%, o rendimento bruto do fundo é cerca de 12,65% ao ano, ainda sujeito a IR. Para aplicações de curto prazo, o Tesouro Selic ou um CDB sem taxa de administração costuma superar fundos com taxas acima de 0,3%.
Regra prática: Para a reserva de emergência, busque produtos que rendam 100% do CDI ou mais, com liquidez diária, dentro do limite do FGC se for CDB de banco menor. Qualquer coisa abaixo de 95% do CDI com liquidez diária tem alternativas melhores disponíveis no mercado em 2026. Veja também nosso guia sobre Tesouro Direto para entender o Tesouro Selic como alternativa.
Perguntas frequentes
CDI e Selic são a mesma coisa?
São taxas muito parecidas, mas tecnicamente distintas. A Selic é determinada pelo Copom e reflete operações lastreadas em títulos públicos federais. O CDI reflete operações de empréstimo entre bancos sem títulos públicos, registradas na B3. Na prática, a diferença é de cerca de 0,10 ponto percentual — irrelevante para a maioria das decisões de investimento. O que importa é usar o mesmo benchmark ao comparar produtos entre si.
O que significa um CDB que rende “120% do CDI”?
Significa que o CDB rende 20% a mais do que a taxa CDI. Com CDI em 13,15% ao ano, um CDB de 120% do CDI rende aproximadamente 15,78% ao ano bruto. Esse tipo de produto costuma ser oferecido por bancos menores, que têm custo de captação mais alto. Veja como escolher um CDB com segurança. O risco é o de crédito do banco emissor — mitigado pelo FGC para valores até R$ 250.000 por CPF por instituição. Para valores acima desse limite, diversifique entre emissores.
Posso investir diretamente no CDI?
Não diretamente. O CDI é uma taxa de referência, não um ativo investível. O que você pode fazer é investir em produtos que remuneram com base no CDI: CDBs, LCIs, LCAs, fundos DI, debêntures pós-fixadas, entre outros. O Tesouro Selic, tecnicamente, é indexado à Selic — mas como as duas taxas são quase iguais, o efeito prático é equivalente a investir “no CDI”.
Qual a diferença entre CDB pós-fixado e prefixado?
Um CDB pós-fixado (como “100% do CDI”) rende conforme a taxa CDI varia ao longo do tempo — você não sabe exatamente quanto receberá no total, mas o rendimento acompanha os juros do período. Um CDB prefixado trava uma taxa fixa, por exemplo “13,50% ao ano”: você sabe exatamente o que receberá se carregar até o vencimento, independentemente do que aconteça com a Selic. Em cenários de queda de juros, o prefixado pode ser mais vantajoso; em cenários de alta, o pós-fixado protege melhor.
Por que fundos de renda fixa às vezes rendem menos que 100% do CDI?
Porque a taxa de administração é descontada do rendimento bruto. Um fundo que cobra 0,5% ao ano sobre um CDI de 13,15% entrega na prática cerca de 12,65% brutos — equivalente a aproximadamente 96% do CDI. Some o imposto de renda e o rendimento líquido diminui ainda mais. Por isso, para renda fixa conservadora e de curto prazo, CDBs diretamente emitidos por bancos (sem taxa de administração) ou o Tesouro Selic costumam superar fundos DI com taxas acima de 0,3% ao ano. Fundos também sofrem come-cotas semestralmente, o que reduz ainda mais o rendimento líquido.